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E d i t o r i a l


As Pessoas Intermediárias

Com o advento da informática e da poderosa globalização da informação pelas vias da internet, vemos surgir uma gama de pessoas as quais podemos denominar de pessoas de nível intermediário. O que isso significa? É muito fácil de entender essa curiosa denominação, que reflete uma realidade nova e inquestionável. Partindo do princípio de que existem pessoas instruídas e não instruídas, é um começo para se entender o básico do conceito. Mas não o suficiente. Admitindo-se que as pessoas instruídas podem ser subdivididas em pessoas com nível superior, superior incompleto, com segundo grau completo, incompleto, etc, ou seja que tenham uma preparação educacional básica, pelo menos. E que as pessoas não instruídas podem ser subdivididas em absolutamente ignorantes, ignorantes, semi alfabetizadas, apenas alfabetizadas, etc., podemos ver mais claramente a base ideal que sustenta o que adiante será exposto.

De todas essas subdivisões, e das duas mais básicas, podemos tirar a idéia que vinha sendo a praxe da realidade por muitos séculos. Mas, e agora ? O que vemos adiante em nosso futuro ? O que podemos esperar dele ? A resposta é simples: o futuro pertencerá àqueles que dominarem a informática. Aquela divisão fora de moda entre os instruídos e os não instruídos está se desintegrando dia a dia, e não há nada mais que possa ser feito. Adiante daqueles que outrora estavam no topo, por serem os mais instruídos, possuírem curso superior, ou qualquer nível de instrução excepcional, estão aqueles que, além disso tudo, dominam o mundo dos computadores. Hoje, podemos dizer tranqüilamente que alguém que não chegou a completar o segundo grau, mas tem inteiro domínio na área da informática, está adiante daquele que se formou em Pedagogia mas não sabe nem usar um mouse e nunca ouviu falar em internet. Qual dos dois está mais preparado para o futuro que nos espera ? Quem poderá participar e entender melhor a gradual globalização que o nosso planeta está sofrendo ? Não precisamos refletir por muito tempo para descobrirmos que o cavaleiro cibernético que não chegou a completar o segundo grau está mais preparado para a vida no futuro. E é aí que vemos surgir mais uma peça chave para compor aquela divisão de que foi tratada acima: os instruídos informatizados.

Mesclados diretamente com o grupo dos instruídos, (pelo fato de que os não instruídos, em todas as suas subdivisões, necessariamente teriam de atingir primeiro o grau de instruídos, para depois chegarem ao de informatizados) os instruídos informatizados necessariamente devem ter um grau mínimo de instrução, já que têm de usá-la como ferramenta para manipular o ambiente cibernético onde atuam. E, já que instruído por instruído, todos possuem esse grau de desenvolvimento intelectual básico, que acontece com os apenas instruídos ? É aí que surge a figura da pessoa intermediária. A teoria bombástica que começa a ser formulada nesse instante, é a de que o campo de atuação daqueles que não adentrarem de vez na realidade da informática, muito em breve será drasticamente reduzido. Que dizer de um arquiteto que não faz seu trabalho sem a ajuda de um computador ? Que futuro terá ele? O mesmo para os advogados, médicos, e toda a sorte de especialistas que estarão inevitavelmente excluídos da marcha da globalização de informações já em andamento há alguns anos. Isso se, repito, não entrarem de vez no mundo cibernético que avança cada vez mais para dentro de nossa vida.

Preparar-se enquanto é tempo é a arma ideal. E a única arma, a bem da verdade, que pode ser usada sabiamente. Pôr a cabeça entre as mão e entrar em desespero não vai ser solução, mas sim o fim daquele que não quiser aprender o novo estilo de vida que agora nos se apresenta. O benefícios e malefícios disso tudo ainda surgirão à nossa frente. Mas, tudo a seu tempo, achar-se-ão as soluções. Esse é o passado da humanidade e esse também será nosso futuro.

Sérgio Dourado - 1997


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